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Útil para seu arquivo e verdadeira orientação religiosa

    ICR/LCP – L.I – PREFÁCIO

    OBRAS COMPLETAS DO

    Pe LEONEL FRANCA S.J.
    _________________

    A protestantes e incrédulos só peço que
    me leiam com ânimo desprevenido de -
    quem deseja sinceramente conhecer a -
    verdade para abraçá-la com generosi-
    dade e amor…………. ………………………..

     

    A IGREJA, A REFORMA

    E A

    CIVILIZAÇÃO
    ===
    6ª Edição – 1952
    ===
    Pg.7
    PREFÁCIO DA 1ª EDIÇÃO

    Grande é a responsabilidade de quem escreve.

    Agitar idéias é mais grave do que mobilizar exércitos. O soldado poderá semear os horrores da força bruta desencadeada e infrene; mas, enfim, o braço cansa e a espada torna à cinta ou a enferruja e consome o tempo. A idéia, uma vez desembainhada, é arma sempre ativa, que já não volta ao estojo nem se embota com os anos. A lâmina do guerreiro só alcança os corpos, pode mutilá-los, pode trucidá-los, mas não há poder de braço humano que dobre as almas. Pela matéria não se vence o espírito. A idéia do escritor é mais penetrante, mais poderosa, mais eficazmente conquistadora. Vai direto à cidadela da inteligência. Se a encontra desapercebida (e quantas inteligências desaparelhadas para lutas do pensamento!) toma-a de assalto, instala-se no seu trono e daí dirige e governa, a seu arbítrio, toda a atividade humana. Pelo espírito subjuga-se a matéria.

    Quantos crimes que se atribuem à força e são filhos da idéia! Se fora perfeita a justiça humana, muita vez, não sobre o braço que vibrou o punhal assassino, mas sobre a pena que semeou a idéia homicida, é que deveram pesar os rigores da sua severidade.

    Grande sempre á a responsabilidade de quem escreve! Mas se é religioso o livro que se atira às multidões, essa responsabilidade assume quase proporções infinitas. Semear idéias religiosas é dirigir consciências. E dirigir consciências é orientar o homem no problema de seu destino, cuja incógnita se resolve na tremenda alternativa de duas eternidades, uma infinitamente feliz, outra infinitamente desventurada. À perspectiva destas inelutáveis e irreparáveis conseqüências, como devera tremer a mão do escritor que se abalança à gravidade de tamanha empresa!

    Pg.8
    Que respeito religioso à verdade! Que prudência circunspecta nas asserções! Que certeza absoluta e inconcussa nas doutrinas que se querem inculcar às almas! Que delicadeza de escrúpulos em fulminar anátemas contra convicções que nutrem, vigoram e confortam a vida espiritual de milhões dos nossos semelhantes! Mais do que qualquer outro, um livro religioso deve ser obra de ciência e obra de consciência.1

    No Brasil o Sr. Eduardo Carlos Pereira, professor de gramática no Estado de São Paulo, não recuou ante à gravíssima responsabilidade de publicar um estudo de controvérsia religiosa.2

    São vastas as ambições do autor. O Brasil parece-lhe pequeno teatro de expansão às idéias. É à imensidade da América latina que dirige os esforços da sua propaganda.

    A seu ver, em toda essa dilatadíssima extensão ainda não está definitivamente resolvida a mais grave, a mais importante, a mais transcendental das questões, que podem preocupar um povo: a questão religiosa. É ainda um problema, isto é, uma incerteza, uma dúvida em busca de solução. E a solução, sua solução, ele a propõe, clara e categoricamente, sem rebuços nem reservas. Cumpre renunciarmos a todo o nosso passado religioso, descrermos o símbolo dos nossos pais, içarmos a bandeira da revolta contra Roma e bandearmos para o protestantismo. O dia em que a América latina for luterana, calvinista, anglicana, metodista, presbiteriana, anabatista, unitária, sociniana, etc., etc. assinalará o advento de sua idade de ouro. A cornucópia protestante choverá então a liberalidade dos seus bens sobre os infelizes que ora gemem sob o jogo aviltante do Papado. Agricultura, comércio, indústria, liberdade, ciência, moralidade, tudo florescerá nos resplendores de uma nova civilização, nascida, de chofre, ao toque mágico de uma varinha prodigiosa, cujo condão é monopólio dos filhos de Lutero.

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    1. Em argumento semelhante RUI BARBOSA:

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    Pg.9
    Tal em resumo o pensamento inspirador do Sr. Carlos Pereira.

    A primeira e a última página do livro exprimem-no com brevidade e clareza. No frontispício da obra lê-se “o problema religioso da América latina”. É o ponto da partida: um problema de cuja incógnita se procura o valor. “Fora de Roma, centro do Cristianismo” é o fecho do livro, que condensa a solução do gramático teólogo.

    Fácil é de ver com que avidez nos atiramos a lê-lo. A gravidade do assunto, o arrojo da novidade, o subtítulo “estudo dogmático-histórico” a prometer-nos um trabalho de fôlego, tudo nos solicitava e prendia a curiosidade. Lemo-lo atentamente, uma e outra vez. Foi uma decepção, uma triste e amarga de decepção. Contávamos com um livro de ciência; deparamos com uma obra de fancaria. Esperávamos uma obra de consciência e caiu-nos nas mãos um libelo de sectário apaixonado.

    O leitor que tiver a paciência de ler até o fim as páginas deste modesto trabalho facilmente se convencerá de que não exagero: todo ele é uma longa e evidente demonstração de quanto acabo de afirmar.

    Não empreenderemos, porém, por miúdo a confutação de todos os erros e ilogismos do pastor brasileiro. Esta empresa nos levaria longe e ensancharia matéria para mais de um volume. Fora reabrir, sem necessidade, todos os velhos debates com o protestantismo. A apologética serena e profunda dos grandes controversistas católicos já exauriu o argumento e rebateu, uma a uma, de maneira vitoriosa e irrespondível, todas as falsidades dos inovadores do século XVI. Não há porque recomeçar esse trabalho imenso de erudição histórica segura, de discussões teológicas bem travadas, de perspicácia, dialética irrefragável e triunfante.

    Aliás, todo o nervo da controvérsia entre católicos e protestantes reside numa questão fundamental, cuja solução definitiva decide o êxito da pendência multissecular. Onde se acha o verdadeiro cristianismo? Onde a Igreja genuína fundada pelo Salvador? Cristo instituiu um magistério vivo, infalível, autêntico, uma Igreja visível, hierárquica, indefectível, depositária incorruptível dos seus ensinamento, encarregada de os transmitir, na sua pureza primitiva, às gerações de todos os tempos? Ou, pelo contrário, quis o divino Salvador que a sua doutrina, embalsamada nas letras mortas de um livro, flutuasse à mercê do arbítrio e das incertezas da interpretação individual; que, sem vínculo orgânico, sem harmonia de fé, sem unidade moral, sem coesão de governo, se pulverizasse a sua Igreja, no decurso dos tempos, em mil seitas contraditórias – vasto acervo de pedras que mais assemelhassem a montão ruinoso de sistemas humanos que à majestade harmônica de um templo divino?

    Pg.10

    Se assim é, o protestantismo tem razão. Mas se, ao invés, é verdadeira a primeira hipótese, só a Igreja católica, apostólica, romana reúno os verdadeiros caracteres da instituição divina de Cristo. Essa é a Igreja da está escrito que é coluna e firmamento da verdade; essa a Igreja, cujos ensinamentos e decisões deverão ser ouvidas pelos fiéis sob penas de serem considerados como pagãos e pecadores; essa a Igreja, que nas promessas divinas tem o penhor de imortalidade: contra ela não hão de prevalecer as portas do inferno, com ela estará o Salvador todos os dias até à consumação dos séculos.

    Aqui, pois, vibra o âmago da questão. Aqui importa concentrar os fogos. Aqui se deve renhir a batalha campal decisiva. O mais são guerrilhas de diversão, escaramuças sem importância.

    Para iluminar este ponto capital convergirão todos os nossos esforços. No primeiro livro poremos em relevo os caracteres divinos da Igreja católica, vindicando-a ao mesmo tempo das acusações adversárias. Em torno do Papado, alvo a que de modo particular atira a pontaria do inimigo, gravitará toda a discussão dessa primeira parte. A segundo será consagrada ao exame dos títulos credenciais do protestantismo. Na sua origem bastarda, nas contradições das suas doutrinas fundamentais verá o leitor o sinete inconfundível de uma adulteração humana da grande obra de Cristo.

    Aqui terminaria a nossa tarefa se o Sr. Carlos Pereira não transferisse o debate para o campo social. A idéia fixa de que o protestantismo constitui o fator poderoso de todos os progressos modernos e o catolicismo a rêmora da civilização, é a alma inspiradora do seu livro. À crítica serena e imparcial desta grande mistificação histórica, guindada às alturas de tese irrefutável, consagraremos a terceira e última parte do nosso estudo. Com a balança da justiça e à luz dos fatos pesaremos os méritos reais do catolicismo e da Reforma luterana no desenvolvimento econômico, intelectual e moral da humanidade. Os resultados desta investigação conscienciosa nos darão a chave do problema religioso não só na América, senão no mundo inteiro.

    Pg.11

    Ao amor ardente, leal e desinteressado com que estremecemos a nossa pátria devíamos esta insignificante mas sincera contribuição dos nossos esforços na luta pela verdade – por essa verdade que eleva as inteligências e enobrece os corações, que saneia,m vivifica e salva os indivíduos e os povos.

    Mais tardiamente do que nos pedira a consciência saem à luz estas observações críticas. Afastados momentaneamente do Brasil e absorvidos por outras ocupações inadiáveis, só volvido em ano da sua publicação, nos veio ao conhecimento a obra do ilustre gramático paulista. Serôdio, pois, virá o fruto dos nossos trabalhos, mas, queremos crê-lo, nem por isso menos grato ou menos útil.

    A dádiva de um coração amigo é sempre acolhida com benevolência; a luz da verdade nunca amanhece tarde nas almas3

    Roma, 1922

    Pe LEONEL FRANCA S.J.
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    3. Julgamos desnecessário chamar a atenção dos leitores sobre a posição lógica em que nos colocamos. Não fazemos um estudo completo de apologética; discutimos apenas questões controvertidas entre católicos e protestantes. Nessa altura, supomos demonstradas e admitidas as verdade fundamentais do cristianismo: a existência de Deus, a divindade ou pelo menos a missão divina de Cristo e a inspiração da Bíblia. Neste terreno comum aos nossos adversários é que travamos o combate. O materialista que rejeita um Deus pessoal e transcendente, o racionalista que nega o sobrenatural cristão não são aqui diretamente visados pelos nossos argumentos. Não queremos com dizer que a leitura destas páginas lhes seja de todo inútil. O fato positivo da existência atual da Igreja, uma e imutável, a continuar uma vida duas vezes milenária e maravilhosamente fecunda em frutos de civilização e santidade, constitui, sem dúvida, uma prova majestosa da sua instituição divina.

    A protestantes e incrédulos só peço que me leiam com ânimo desprevenido de que deseja sinceramente conhecer a verdade para abraçá-la com generosidade e amor.
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    Siglas e Abreviações
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    Postado por OSWALDO às 10:46
    “A natureza de tais questões exigia que dela não se aproximasse ninguém senão com uma sinceridade absoluta e uma intensíssima percepção de sua gravidade… É dos interesses eternos do homem que se trata, das suas relações com Deus, das suas responsabilidades, das bases morais da família e da sociedade. Com a consciência, a sua liberdade, os seus direitos não se especula, não se transige, não se joga”. Discurso proferido em Belo Horizonte em 1910. Excursão eleitoral aos Estados da Baía e Minas Gerais, Garroux, S. Paulo, 1910, pág. 213. “Jouer avec lês questions qui dominet La vie ET La mort, avec La natura mystérieuse, avec Dieu, se faire um sort littéraire e philosophique aux dépens du vrai, ou hors La dépendençe Du vrai, n’est-ce pás um sacrilège?”. Sertillanges, La vie intellictuelle (4), París, 1921, p. 12. 

    2. No Brasil o Sr. Eduardo Carlos Pereira, professor de gramática no Estado de São Paulo, não recuou ante à gravíssima responsabilidade de publicar um estudo de controvérsia religiosa2

    São vastas as ambições do autor. O Brasil parece-lhe pequeno teatro de expansão às idéias. É à imensidade da América latina que dirige os esforços da sua propaganda.

    Written by caiafarsa

    janeiro 3, 2011 at 5:58 am

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